Técnica: “Por que não o Monstro do Espaguete Voador?” ou “Jantando mais uma fraude neo-ateísta”

Afinal, o que é o monstro do espaguete voador? Nada mais é do que uma religião de origem satírica criada pelo físico norte-americano Bobby Henderson. Sua fundação é entendida como uma forma de protesto por entender como “absurdo” o ensino do Criacionismo e do Design Inteligente nas escolas do Kansas. Henderson diz acreditar em um Criador sobrenatural chamado Monstro de Espaguete Voador, composto porespaguete e almôndegas, e pede que o pastafarianismo seja igualmente ensinado nas aulas de ciências correlatas. A finalidade de Henderson, ao criar esta pseudo-religião, seria mostrar que todos os argumentos do conselho de educação do Kansas para a inclusão doCriacionismo ou do Design Inteligente nas escolas também servem para a inclusão do ensino do Pastafarianismo(que é apenas um jogo de palavras com as expressões PASTA, que significa macarrão em inglês e RASTAFARI, cuja expressão refere-se ao movimento religioso jamaicano). Em segundo, seria mostrar que todos os argumentos do conselho de educação para a não inclusão dopastafarianismo nas escolas também servem para a não inclusão do ensino do Criacionismo ou Design Inteligente, buscando assim mostrar que ambos, o Design Inteligente e o pastafarianismo, não devem ser apresentados em aulas de ciências.Devido à sua popularidade e exposição midiática, o monstro do espaguete voador é frequentemente citado por neo-ateus, ateus ou agnósticos como uma versão moderna do Bule de chá de Russell(Já abordamos este assunto aqui no Blog).

Por incrível que pareça, alguns neo-ateus consideram a ideia do monstro do espaguete voador como sendo um real argumento contrário à crença em Deus, e acabam por utilizar isso como uma técnica de intimidação e ridicularização, o que é, no mínimo, perturbador. Ainda sim, eles poderiam afirmar: Por que não o monstro do espaguete voador? Prove-me que ele não existe! Pois bem, analisemos estatécnica risível, diga-se de passagem, e jantemos o monstro do espaguete voador neo-ateísta:

Esta “técnica do Monstro do Espaguete Voador” consiste em fazer uma versão parodiada(e fraquíssima) da existência de Deus para tentar refutar alguns argumentos a favor da existência de Deus, como o Argumento Cosmológico Kalam, O Ajuste fino do universo, O Argumento Moral, et cetera. Segundo eles, a possibilidade de que “Deus” [Que de acordo com sua descrição clássica, com sua tradição e o próprio conceito da palavra é definido como um ser imaterial, atemporal, transcendente, único, pessoal e notavelmente poderoso] seja o responsável pela Criação é a mesma de um… Monstro do Espaguete Voador. Em termos técnicos, é uma reedição do argumento do Bule de Russel e também do Dragão na Garagem e, como tal, não pode ser levado a sério. Mas de qualquer forma, faremos a análise.

Antes, precisamos analisar o que é o Monstro do Espaguete Voador. O Espaguete Voador é mencionado pelo menos três vezes no livro de Richard Dawkins “Deus, um Delírio”(o que já era de se esperar), mas não é uma ideia original sua. No livro de Dawkins, há uma nota de rodapé que traz, resumidamente, a história do Monstro:

“Deus de uma religião fictícia criada em 2005 nos Estados Unidos, para satirizar a proposta de inclusão do design inteligente no currículo das escolas públicas do estado de Kansas. Seus “adeptos” são chamados de pastafarianos (pasta [massa em inglês] + rastafariano). (N. T.) Na carta enviada por Bobby Henderson, onde ele declara que o Monstro é o criador do Universo, há uma ilustração do M. E. V.:”

Daí, pode-se concluir que o Monstro do Espaguete Voador é um ser físico, composto por duas bolas de carnevários fios de macarrãodois olhos parecidos com os humanos, além de possuir a habilidade de levitar. E esse ser é o responsável pela criação do Universo. Mas… isso tem alguma coerência lógica?

E isso refuta a existência de Deus? Obviamente não. As características de Deus retiradas dos exercícios argumentativos de Filosofia/Teologia Natural demonstram características que formam uma descrição para a possibilidade da existência de Deus. E essa descrição estão DE ACORDO com a descrição do monoteísmo, como explica William Lane Craig:

“(…) como os vários argumentos para a existência de Deus podem nos garantir inferências sobre a natureza deste Ser. Diferentes argumentos vão nos ajudar a inferir diferentes atributos, por isto a defesa da existência de Deus é, como você disse, cumulativa. Já o Espaguete Voador é um ser físico  que existe de uma maneira física. A existência de duas bolas de carne ou fios de macarrão anteriormente à existência da própria matéria é, obviamente, uma contradição lógica. “

Continua explicando William Lane Craig:

“E o que dizer dos outros argumentos teístas? O argumento da contingência, se segue, prova a existência de um ser metafisicamente necessário, não-causado, atemporal, não-espacial, imaterial, e Criador pessoal do universo. O Monstro de Espaguete Voador também não pode ser a Razão Suficiente para todas as coisas existentes, uma vez que, como objeto físico(mesmo que invisível aos nossos sentidos) não pode ser nem metafisicamente necessário, nem atemporal, nem imaterial. O argumento cosmológico Kalam também demonstra a contradição entre as características objetivas do Monstro e as características objetivas dadas pela filosofia: O argumento cosmológico kalam, se segue, nos dá bases para acreditar na existência de um ser que não teve um começo, não-causado, atemporal, não-espacial, imutável, imaterial, poderosamente grande, e Criador Pessoal do universo. De novo, um ser com tais atributos não pode ser algo como o Monstro de Espaguete Voador, ou seja, se aceitarmos as características do Monstro como se mostram aqui, não podemos aceitar ele como o ser necessário para a existência do Universo. Ao entender isso, já podemos descartar a hipótese desse ser criado como uma sátira.”

E se por acaso o neo-ateu resolver dizer que “o Monstro do Espaguete Voador” é imaterial, atemporal, etc?

Nesse caso, basta lembrá-lo de que os argumentos concluem que a causa do universo deve ser, NECESSARIAMENTEimaterial, atemporal, pessoal e poderosa e é isso que chamamos de Deus.

Abaixo, um diálogo exemplificativo:

– TEÍSTA: – O ser criador deve ser, NECESSARIAMENTE, imaterial, atemporal, pessoal e poderoso e é isso que chamamos de Deus!

– ATEU: – Mas o monstro do espaguete voador é imaterial!

– TEÍSTA: – Como um objeto, físico por definição, pode ser imaterial? Isto é uma contradição lógica!

– ATEU: – Ah e daí? O que importa é que ele projetou a si mesmo!! O que prova que ele é ATEMPORAL!

– TEÍSTA: – Não é logicamente coerente. Também é uma contradição em termos…

– ATEU: – Por que é uma contradição?

– TEÍSTA: – Porque, se ele se auto-criou, ele deveria existir antes disso para criar a si mesmo, o que demonstra incoerência lógica!

– ATEU: – Ohh, não…. Não o Divino Monstro do Espaguete Voador!

– TEÍSTA: – Além disso, eu dei argumentos para demonstrar que essa causa teria que ser um ser PESSOAL.

– ATEU: – Oh, não, não…. Não o Espaguete Voador!! Ele também é um ser PESSOAL!

– TEÍSTA: – Ok… Veja, o que você chama de Espaguete Voador, eu chamo de Deus! Um ser PESSOAL, ATEMPORAL, IMATERIAL e PODEROSO… Não há diferença no que estamos discutindo! Se, de acordo com sua definição, ele é imaterial, atemporal, pessoal e imensamente poderoso, não seria uma violação à lei de identidade lógica chamá-lo de Espaguete Voador?

– ATEU: – Ahnn… Bem… Errrr.. [balança a cabeça decepcionado]

Fim do diálogo.

Percebam que o erro do ateu foi tirar todas as características do Monstro do Espaguete Voador. Ora, se todas as características de um espaguete voador foram embora… então ele já não é mais um espaguete voador! O termo “espaguete voador” pode ser usado, no máximo, como um nome de fantasia para a entidade que estamos discutindo!  Isto será apenas o nome idiota que ele estará usando para descrever a entidade! Sendo não-físico, transcedente ao espaço tempo e etc., as outras características que dão identidade própria ao Espaguete tornam ele uma entidade diferente de Deus. Se ele não tem bolas de carne, não tem fios de macarrão, nem levita… então ele já não é mais um Monstro, nem um Espaguete, nem Voador! Esse nome, se torna então, apenas um título usado como tentativa de zombaria!

A moral da história é: Por mais que se queria dar algum outro nome besta qualquer, como Monstro do Espaguete Voador, Mamãe Ganso ou Unicórnio Rosa Invisível, se estivermos falando de seres com as MESMAS características OBJETIVAS… então estamos falando… do mesmo ser!

Então este é o procedimento a ser tomado frente à aplicação do Monstro do Espaguete Voador:

Podemos começar pedindo as características objetivas do Monstro ao aplicador da técnica. Se ele descrever como um objeto físico, faça um questionamento socrático que o leve a demonstrar como um objetivo físico pode ser a causa de todos os outros objetos físicos. Se ele der as características do Deus da Teologia Natural e da tradição do monoteísmo, então faça outro questionamento socrático perguntando exatamente porque, então, o chamamos de “Monstro”, de “Espaguete” e de “Voador”.

Caso ele tente inverter o “ônus da prova”, o melhor é agir com desprezo ou indiferença. Cabe ressaltar que isso não é propriamente uma refutação formal, apenas uma técnica de debate para evitar que fiquemos falando em bobagens. A refutação formal seria demonstrar que o ônus da prova é de quem alega. O procedimento é o mesmo em casos como a aplicação da existência de fadasbule celestial ou ainda com o Espaguete como um ser físico que pode estar por aí no Univero e não como o ser criador do Universo.

Conclusão e considerações finais:

Logicamente, o Monstro do Espaguete Voador é a aplicação das velhas técnicas de desonestidade intelectual, da Ampliação Indevida,da Falsa Analogia e do Reductio Ad Absurdum. Mais uma técnica poderosíssima de lavagem cerebral utilizada por Richard Dawkins e pelos neo-ateus na internet. Esse estratagema popular, possivelmente usado por muitos como “irrefutável”, só demonstra o enorme campo que separa duas áreas, ANOS-LUZ, uma da outra: o NEO-ATEÍSMO e a LÓGICA.

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