Pondé já dizia: Dawkins é literatura de auto-ajuda

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Que Dawkins não é bom de lógica e teologia, já sabemos.

E mesmo assim, seu livro “Deus, um Delírio” vendeu milhões de cópias. Como explicar isso? Teria um grande número de pessoas baixado o seu senso crítico? Ou seria o simples fato que Dawkins ajuda a estimular a crença que “ateísmo o faz se sentir bem”?
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O filósofo Luiz Felipe Pondé já havia dado seu pitaco no assunto. Leiam a entrevista a seguir:

IHU On-Line – Poderia explicar com detalhes sua idéia de que o livro de Dawkins não passa de um libelo político? O que quer dizer com isso?

Luiz Felipe Pondé – Não há idéias novas no sentido da biologia darwinista ou sua concepção cosmológica; sua intenção é convencer a neo-esquerda (mistura de iluminismo anti-clerical + foucaultismo das minorias oprimidas) de que o darwinismo não tem a política “de direita” do darwinismo social, mas sim é uma teoria que liberta do medo da opressão metafísica de uma autoridade louca como Deus. O ateu pode sair do armário, como ele diz, e será feliz.(…) Seu iluminismo é aquele que pensa que a confessionalidade atéia nos deixa mais felizes. Por definição, não levo a sério ninguém que associa suas idéias a venda de alegria, mesmo que supostamente dolorida.

E ele continua:

IHU On-Line – O ateísmo chique de Dawkins reedita o embate fé-razão. Por que é importante definir quais dos dois campos está correto na explicação da origem da vida?
Luiz Felipe Pondé – Não acho que seja necessário uma explicação que opere em uma das pontas. Não partilho da idéia de que exista tal oposição, pelo menos nos moldes de como é colocado (esclarecimento x escuridão, por exemplo, o que é pra iniciantes que acreditam na utopia racionalista moderna). Dawkins não é elegante em seu ateísmo. (…) Esse livro do Dawkins é uma auto-ajuda para ateus inseguros.
O que Pondé disse poderia ser apenas uma teoria, até analisarmos a postura de Richard Dawkins e seus fãs na internet.
Vejam, por exemplo, a confissão do autor John Wayland do site Humanist Life:
As palavras e idéias de Richard se encaixaram em tudo que eu conhecia sobre o mundo. Sua defesa da ciência, razão e da verdade me incitaram a defendê-las também e encorajar os outros a realmente olhar o mundo e considerar a evidência.
Lentamente, minha auto-confiança foi crescendo. Qualquer hora que eu me sinto triste ou preocupado, eu leio um dos livros de Richard. Muitos são rápidos em criticá-lo, mas se eles apenas escutassem o que ele fiz, sua honestidade, integridade e verdade, seja em livro ou vídeo, eu não consigo imaginar como é possível não se sentir tocado pelo o que ele diz.
Richard Dawkins é meu herói humanista porque ele me fez sentir confiante em dizer que “Eu não acredito em Deus”!
E não para por aí: no próprio site de Dawkins há toneladas de depoimentos do mesmo tipo, numa seção que ele criou, aparentemente, especificamente para esse fim (o “Canto dos Convertidos“). Por exemplo, aqui:
This “closet” Atheism was carried with me until very recently when I began reading and watching Professor Dawkins’ speeches, among other prominent scientists, mostly in the fields of evolutionary biology and evolutionary psychology. I know have no fear or remorse in telling people I am an Atheist, and even engaging in “debates”
Aqui:
I want to thank you, Mr. Dawkins. My life is so much better without religion being a part of it. I feel liberated. I feel that I can truly live my life for me, the way that I want to live it.
E aqui:
My mother, who had become an atheist, gave me The God Delusion as a gift. But I resisted reading it because the very title was offensive to my Christian sensibilities. Then with constant encouragements from a certain friend I finally read it, and by the end I had prayed my last prayer to God. My life was my own again, not the property of some invisible tyrant.
Todos exemplos colhidos a esmo. É só ir lendo que não acaba mais.
Também temos campanhas como essa que mostradas na foto do post, que confirmam a teoria de Pondé. O sujeito precisa se “livrar” das “amarras divinas” para poder “aproveitar a vida”.
Se fosse possível fazer um resumo do conteúdo de Deus, um Delírio, poderia ser assim:
1 – Argumentos ruins, beirando a infantilidade (e, provavelmente, é por isso que ele evita debates com pessoas como William Lane Craig)
2 – Fingir ser o porta-voz da Ciência e da Racionalidade (no que muitos acreditam, vide o comentarista Ateísta Capixaba Neto no Bule Voador)
3 – Estímulo de crenças de self-selling para fazer o sujeito se sentir melhor, coisas parecidas com “Eu acredito em evidências, você não”, “Eu sou Mais Racional”, “Eu aproveito a vida”
4 – Estímulo a crenças sem evidências, do tipo “O fim da religião irá diminuir o gregarismo”, “A Religião é a responsável pela maioria das guerras do mundo/raiz de todos os males”, etc.
Enfim, todas elas são típicas de gurus. Dawkins é só mais um deles, usando ateus como bucha de canhão para enriquecer, sendo filosoficamente irrelevante para o debate teísmo x ateísmo. Uma espécie de Edir Macedo do ateísmo. Que os fãs de Dawkins não fiquem bravos comigos. Estou apenas expondo os fatos. Ah! E antes de reclamar… não esqueçam de fazer sua doação, de comprar seu pingente ateu de cera, de comprar as camisas da campanha do ônibus ateísta para presente de Natal, de comprar seu casaco da fundação Richard Dawkins para Razão e Ciência, de comprar sua bolsa de compras da fundação, de comprar seu adesivo “Richard Dawkins“, de comprar a camisa do livro Deus, um Delírio, além dos livros e DVDs, certo?  😉
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