Técnica: “Deus estava carente”.

Essa é uma técnica simples, em que o neoateu tenta provar que Deus não existe porque criou o Universo. Também pode ser usado na variação “Por que Deus criaria o Universo?”. Se esse argumento fosse apresentado em forma de silogismo (nota: não espere que ele saiba o que é o silogismo), seria mais ou menos o seguinte:

1) Deus é, por definição, um ser perfeito.

2) Um ser perfeito não tem necessidades.

3) Deus criou o Universo para satisfazer algum propósito divino.

4) Mas (3) é contraditório com (2) e (1)

5) Logo, Deus não existe.

O erro está, obviamente, na premissa (3).

De onde foi tirada que Deus criou o universo para satisfazer alguma necessidade?

Teólogos e filósofos apresentaram uma resposta coerente e objetiva ao problema, que qualquer um capaz de entender. Se Deus é perfeito, então, por definição, ele é bondoso e amoroso (*). Um ser pode praticar atos de bondade sem ser para satisfação pessoal e sim para o benefício de outrem. Um exemplo comum: se eu dou comida para uma criança de rua, não estou, necessariamente, praticando um ato para satisfazer meu ego. Posso estar simplesmente querendo ajudar, sincera e genuinamente, aquele que se encontra ali.

Então, se eu alimento a criança de rua, é para o benefício dela, não necessariamente para satisfazer minhas necessidades internas.

Se Deus criou a humanidade, foi para o benefício da Criação, não para satisfazer sua própria carência.

Em resumo, a contra-argumentação seria essa:

1) Deus é, por definição, um ser perfeito.

2) Um ser perfeito não tem necessidades.

3) Um ser perfeito é bondoso.

4) É possível praticar atos de bondade sem ser por necessidade.

5) É possível que Deus tenha criado o Universo para o benefício dos criados e não para benefício próprio.

6) Portanto, Criação e Perfeição não são atributos contraditórios.

Simples, não?

Conclusão

Embora não seja um estratagema dos piores, pois ainda tenta argumentar, é facilmente refutável. Não se deixe impressionar e mande bala contra essa técnica.

(*) Esse blog não discute a existência ou inexistência de Deus. Estamos argumentando dentro do plano teológico sobre a coerência interna dos atributos divinos, já aceitos em uma discussão filosófica anterior.

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