Outros truques (resumo)–Parte III

7. Mentes só existem com cérebros
Esse é um argumento é usado com frequência média. Não lembro de ter ouvido algum autor neo-ateu usar ele. Portanto, imagino que seja algo meio “intuitivo” ou que se espalhou apenas por sites ateístas na internet.Basicamente, ele diz que Deus não pode existir. O modelo aproximado do que seria Deus seria uma mente e mente só existem como cérebros. O argumento vai mais ou menos assim: “Se Deus é uma mente, e mentes só surgem como resultado da evolução de um cérebro material, como pode Deus existir?”

O problema desse argumento é que ele esconde uma petição de princípio, uma vez elepressupõe o materialismo. Se mentes só e somente só podem existir a partir de evolução em cérebros, então o materialismo é verdadeiro. E se o materialismo é verdadeiro, então é óbvio que Deus não existe.

Mas isso não passa de lógica circular, é claro. Seria, no mínimo, deficiente, para não dizer desonesto, argumentar começando do materialismo para concluirmos que Deus não existe.

E a matéria não é nem se de fato no mundo atual nossas mentes sejam equivalentes ao nosso cérebro ou algo do tipo, visto que, mesmo constatado isso, seria uma verdade contingente, não necessária. Mesmo que o dualismo para seres físicos como humanos não seja verdade, isso não significa que ele não seja nem ao menos metafisicamentepossível em outras situações.

A questão é: que argumentos temos para achar que o materialismo é verdadeiro (lembrando, só postular que é assim com os humanos não é suficiente) e que é impossível a existência de uma mente não atrelada ao físico? E que argumentos temos para achar que isso é possível?

Bom, existem poucos, se é que existe algum, tão abrangente para o primeiro caso. E os argumentos para a existência de Deus, que são deduções lógicas, implicitamente acabam trazendo a conclusão de que algo imaterial é possível. E para derrubá-lo você deve começar negando uma das premissas ou negando que a conclusão siga e não partir aceitando que o materialismo é verdadeiro – pois isso seria. como já explicado, petição de princípio.

8. O não-físico não pode interagir com o físico

Esse argumento funciona como de cima, de certa forma. Algumas pessoas dizem que Deus não poderia, não sendo físico, interagir com o mundo físico.

Mas, novamente, por quê? Por que devemos aceitar a priori que isso é impossível?

Nós podemos pegar argumentos para verificar isso, por exemplo. Se o Kalam é verdadeiro, então algo imaterial deu início a algo material. E o não-físico interagiu com o físico, conforme a dedução nos mostra.

Outros argumentos (como o ontológico ou a aceitação de alguém que o Deus da Bíblia é o verdadeiro) definem Deus como devendo ser Onipotente. E se é onipotente, então segue que poderia interagir com o físico.

Então é possível arranjar uma base para justificar a interação. Simplesmente sair como premissa que é impossível obviamente só pode levar a uma conclusão que já estava embutida na primeira idéia.

9. Deus é antropoformizado

Finalizando temos mais esse que, por incrível que pareça, também me parece uma petição de princípio, como os dois acima.

Alega-se que quando descrevemos características para Deus o tornamos “antropomorficos”; o que, é claro, só pode pressupor que Deus não existe. Pois se o teísmo cristão é verdadeiro, não é Deus que é antropoformizado; é o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, que é teoformizado. Então não há erro algum em dizer que Deus é um ser pessoal, por exemplo.

Alguém pode fazer uma objeção dizendo que Deus na Bíblia mostra certas emoções e características humanas. Mas devemos lembrar que a Bíblia não foi feito como um tratado de teologia sistemática, mas como uma NARRATIVA espiritual (ver mais sobre isso no post sobre a Cristina Rad). Então o uso literário é justificado para passar uma mensagem.

Então, concluo que nenhuma dessas objeções é apelativa ou, ao menos, interessante para ser colocada em um debate avançado.

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