Técnica: Seja mais cristão/Seja mais gentil

Essa é uma técnica de intimidação baseado na velha técnica da Guerra Assimétrica: se dá todos os direitos de agir para um lado, não importando o quão imorais sejam, e se censura todas as tentativas de resposta feitas pelo outro lado, com um ar de indignação falso como se, ao reagir contra um absurdo, se estivesse cometendo um crime.O estratagema funciona da seguinte forma: o neo-ateu faz acusações e ofensas graves contra o teísta. Se o teísta não responder, é como se acusação fosse verdadeira e ele tivesse fugido da contenda (o que é uma derrota). Se o teísta responde educadamente, nada importa, e ele continua repetindo a mentira à exaustão (o que novamente é uma derrota, pois o objetivo do neo-ateu é propaganda anti-religiosa e ele só para ou com expulsão ou com o desmascaramento por completo). Se ele responde à altura, o neo-ateu se encolhe e tenta uma última saída: “Nossa! Como você é pouco polido! Seja mais cristão!”. Dessa forma, ele desvia a discussão do argumento para o caráter moral do adversário e, aparentemente, a censura o faz vencer em qualquer opção existente. Um exemplo prático dessa técnica:

  • NEO-ATEU: Religiosos são um atraso. Se fosse pela sua vontade e dos outros cristãos, ainda estariamos usando paus e pedras no nosso dia a dia.
  • REFUTADOR: Peraí? Isso que você está falando é MENTIRA. E eu te desafio a provar que a crença religiosa implica em não desenvolvimento tecnólogico. Caso contrário, tu vai passar como fraudador e desonesto.
  • NEO-ATEU: Como você é grosseiro! Não diga que eu estou mentindo, nem que sou fraudador e desonesto! Não vê que isso é pouco cristão… Por favor! Parece que você precisa aprender mais sobre Cristianismo!

A requisição do neo-ateu é que deveríamos tratá-lo com polidez, pois caso contrário estariamos violando os ensinamentos da nossa própria religião.

Mas o que é polidez?

Em termos gerais, podemos dizer que a polidez é basicamente a maneira com a qual nós tratamos pessoas que gostamos ou com que não temos nada contra, como nossos parentes ou com vizinhos. Não diriamos para uma pessoa dessas que ela é mentirosa ou desonesta, provavelmente.

Mas será mesmo que os cristãos nunca devem quebrar as regras de polidez, tratando com o máximo de boas palavras até mesmo os seus piores inimigos?

É claro que não. Há vários exemplos disso na Bíblia, mas vamos pegar apenas Mateus 23. Nele, Jesus atacava os fariseus, os chamando de “hipócritas” (várias vezes), “filhos do inferno”, “insensatos” (duas vezes), “cegos” (duas vezes), “serpentes” e “raças de víboras”

Pense bem – “raça de víboras” não é exatamente o termo que você usaria para conversar com a sua avó, certo?

A quebra das regras de polidez é totalmente justificável quando o tratamento for JUSTO. Se o sujeito ataca feito um vírus os cristãos e o cristianismo, de forma consciente, então ele deve ter uma resposta digna. E isso está suportado pelo comportamento de Jesus, conforme as Escrituras.

Uma pergunta muita frequente que é feita aqui é: mas não deveríamos “perdoá-lo”? Esse trecho do artigo Guerra contra as religiões do Olavo de Carvalho é simplesmente esclarecedor sobre essa questão:

E não espanta que usem para legitimar sua covardia abominável o pretexto do perdão e da caridade, prostituindo o sentido da mensagem evangélica que manda cada um de nós perdoar as ofensas feitas a ele próprio, nunca pavonear-se de cristão mediante o expediente fácil de perdoar crimes cometidos contra terceiros, que aliás nunca lhe deram procuração para isso. Não é um discípulo de Jesus aquele que, vendo seu irmão ser esbofeteado, se apressa em cortejar o agressor ofecendo-lhe a outra face da vítima.

A mensagem é clara: um cristão só deve usar o perdão quando a ofensa for individual e não prejudique a terceiros. Quando o ataque for prejudicial a todo um grupo de pessoas, como os religiosos, devem ser respondido de imeditado. Se alguém vem a público sugerir que religiosos são doentes mentais que devem ser excluídos da discussão pública, não pode simplesmente passar impune.

Vou dar mais um exemplo prático de aplicação: imagine que eu estivesse discutindo com um neo-ateu o fato de o Cristianismo ser uma crença racionalmente justificável (e respeitável) e dito que autores como William Lane Craig, Alvin Plantinga e Richard Swinburne provariam esse ponto, perguntando quais trabalhos acadêmicos ele já havia lido desses três para poder dizer que não era. Vejamos como seria um comportamento neo-ateu nessa discussão:

TRABALHO ACADEMICO E O CARALHO! Eu ja li o suficiente para distinguir crenca cega e idiotizada travestida de pseudo ciencia como o verme William Lane Craig tenta ludibriar os mente fracas como voce e outros? Cristaos Nescios.

Qtos crentes são necessários para confrontar a penca de neo CRIACIONISTAS oportunistas? que faturam milhões às custas da teoria,ou melhor,da FABULA DO GENESIS e da burrice teísta (eles acham que são gênios…)???

Nao ha muito o que debater com um Cristao,pois tais criaturas acreditam que um Judeu mendigo desempregado cabeludo da Galileia fazia curandeirismo e ilusionismo,alem de “ressussitar” o tal Lazaro e a si mesmo,alem de outras? sandices como andar sobre as aguas e transformar agua em vinho(o porra louca devia ser um alcoolatra).Se uma pessoa realmente acredita nessas estupidezas? e em outras maluquices da Gibiblia essa pessoa nao pode ser levada a serio pois sofre de um disturbio mental.

Como eu responderia a ele? Da seguinte forma:

Você é um safado, picareta e desonesto intelectual. Só praticou ad hominem contra Craig e estratégias de escárnio, sem ser capaz de responder uma pergunta objetiva: quais trabalhos acadêmicos você já leu deles [Craig, Plantinga e Swinburne] para fazer sua avaliação? Quais?

E o meu comportamento deixou de ser cristão?

De forma alguma.

Eu apenas respondi a altura, neutralizando o ato difamatório contra os religiosos praticado pelo neo-ateu. As palavras “safado”, “picareta” e “desonesto intelectual” seriam apenas uma descrição FACTUAL do comportamento do adversário, assim como “hipócritas” e “serpentes” eram do comportamento dos fariseus.

Se eu tivesse sido polido e educado, respondendo só “Ah, amigo, não é bem isso que você está pensando. Eles são bons autores sim e nós cristãos não temos distúrbios mentais não… Não pense isso”, seria um ponto marcado por ele.

Motivo?

Simples.

O ato de difamação teria sido BEM SUCEDIDO.

E isso seria injustificável.

Eu estaria dando TERRENO ao neo-ateu, se não respondesse de uma forma que o colocasse no seu devido lugar.

É claro que devemos ter cuidado para não exagerar. Se alguém simplesmente pergunta “Galera, sou ateu, e estive lendo sobre o Problema do Mal. Qual seria a resposta a essa dúvida?”, uma reação dizendo que “Você é um desgraçado, mentiroso e merece ser exterminado”, seria um erro completamente estúpido.

Mas se fosse “Cristão são merdas e devem ser excluídos de qualquer discussão pública, pois são os maiores inimigos da Ciência”, a resposta “Você está falando uma mentira baseada em distorções e informações erradas da história. Há vários autores que provam que o Cristianismo foi uma visão de mundo FAVORÁVEL a Ciência, sem falar nos vários padres e religiosos que deram importantes contribuições para a Ciência, como Mendel (Genética), Lemaitre (Big Bang) e Francis Collins (Projeto Genoma). Não tente mentir por aqui, pois eu não vou permitir” seria não só aceitável, como completamente NECESSÁRIA para o confronto.

E isso não viola em nada os exemplos de Jesus Cristo…

Conclusão

Contra essa trapaça ardilosa, o antídoto é desmembrar mostrando que o tratamento gentil só deve ser dado aos que merecem. Se quiser, pode até tratá-los com gentileza – desde que seja com um gentil e delicado pé-na-bunda. Quem deixa de responder a uma fraude, colabora com o seu avanço. No momento em que desprezar os cristãos vira algo normal, aceitável e até mesmo elegante, é por que alguém deixou isso acontecer.

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