Técnica: Religião é uma etapa passada na história humana (“Ou é Ciência, ou é Religião”)

Essa é uma técnica que é usada por muitos neo-ateus, cuja base é a venda da ilusão de que a humanidade evoluiu, passando de um estágio “religioso” para um estágio “científico”. O neo-ateu, é claro, estaria no “ápice” da evolução humana, ao qual todos os ditos “racionais” deveriam aceitar. Pode ser praticada dessa maneira:

  • NEO-ATEU: A religião foi importante durante a infância da humanidade, mas agora está sem justificativas. Graças aos telescópios e microscópios, ela já não pode oferecer nenhuma explicação importante. Está na hora de a deixarmos para trás pelo conhecimento científico.

A técnica é simples:

  • (a) FINGE-SE que a religião ocupa um lugar epistemológico (de descrever as relações do mundo natural) que ela não ocupa;
  • (b) Critica-se a religião com base nesse pressuposto (que é falso), dizendo que a ciência explica melhor esses eventos (o que ó óbvio, devido ao próprio campo de trabalho da ciência);
  • (c) E a partir daí chega-se à conclusão de que, se a ciência explica melhor, logo a religião é inútil;
  • (d) Se a religião é inútil, os adeptos delas estão com uma forma “primitiva” de explicação, ao contrário da do neo-ateu, que seria “moderna”;
  • (e) Portanto, se você quer se modernizar, junte-se a nós e lute pelo progresso, conforme definido em (d);

A fraude é gigantesca. Mas derrubando “(a)”, todo o castelo de cartas neo-ateísta dentro dessa técnica é derrubado junto. Esse raciocínio só funciona se estivermos falando de disciplinas que ocupem o MESMO campo de conhecimento. Se estiverem em magistérios diferentes, então não se faz opção entre uma ou outra (seria o falso dilema entre ciência e religião).

Por exemplo: existem duas teorias alternativas, NO MESMO CAMPO DE CONHECIMENTO, entre a geração de eletricidade. Uma fala de elétrons e outra postula uma entidade material no lugar dos elétrons chamados “memecons”. Com o tempo, experimentos científicos confirmam que somente os elétrons existem.

Nesse caso, então a explicação dos elétrons é realmente a melhor e, portanto, é a que deveria ser adotada (limitando entre as duas alternativas).

Mas o mesmo acontece com a religião e a ciência?

De forma alguma.

A ciência (ou o método científico) é apenas um instrumento humano de descrição entre duas relações causais na ordem natural e física do mundo. Da ciência, tiramos induções de como esperamos que as coisas funcionem nas próximas vezes que a repetirmos dentro de variáveis com controle epistemológico específico. Já a religião ocupa o papel de uma síntese transcendental de base metafísica, que não é passível de discussão empírica pela sua própria natureza.

Colocando em termos claros: para o Cristianismo ser verdadeiro, ele precisa ter duas verdades metafísicas como corretas: (a) a existência de um ser pessoal, necessário e transcendental supremo; e (b) a forma de se relacionar com ele é através da pessoa de Jesus Cristo.

E nem (a) nem (b), queiram os neo-ateus ou não, são assuntos que podem ser confirmados ou negados pelo método científico, que se resume a descrever o mundoempírico. Se Deus não é empírico, nem a relação do pós-morte do homem com ele através de Jesus, então não temos como definir cientificamente essas discussões. A ciência será neutra nesses tópicos.

Conforme explicou a Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, citada no blog do Luciano:

Na raiz do aparente conflito entre alguma religiões e a evolução está uma compreensão equivocada da diferença crítica entre o modo de conhecimento religioso e o científico. As religiões e a ciência respondem a perguntas diferentes sobre o mundo. Se existe um propósito no universo ou um propósito para a existência humana, essas não são perguntas para a ciência. O modo de conhecimento religioso e o científico representaram, e continuarão a representar, papéis significativos na história humana… A ciência é uma maneira de conhecer o mundo natural. Ela se limita a explicar o mundo natural através de causas naturais. A ciência não pode dizer nada acerca do sobrenatural. Se Deus existe ou não é uma questão sobre a qual a ciência é neutra.

A Academia Nacional de Ciências CONCORDA com a avaliação de que Deus não é um assunto científico. No que ela está corretíssima. E pelo mesmo raciocínio concluímos que (b) entra no mesmo grupo de neutralidade.

Talvez ele queira dizer que o avanço científico dispensa as explicações metafísicas. Mas é exatamente esse o erro que estamos discutindo o artigo todo. A ciência pode acumular e acumular induções entre dois eventos que isso não vai confirmar nem negar nada na existência de Deus e Jesus, pois essas duas afirmações não são teorias explanatórias do mundo empírico. Mesmo que existisse uma explicação completa e coerente naturalista para o mundo (na verdade, isso não é possível, pois não temos o conhecimento total da realidade – e ausência de evidência não é evidência de ausência, conforme devemos lembrar desse vídeo), essas duas idéias, na sua forma pura, ficariam intactas, pois ainda seria possível existir um mundo além desse.

Se a crítica for pelo lado de a explicação religiosa estar fundamentada em uma longa tradição, então aí temos um ad antiquitatem puro e não é preciso levá-lo a sério.

Em resumo:

  • (1) A ciência é uma descrição do mundo empírico, e a religião é formada por uma base metafísica;
  • (2) Logo, ciência e religião não ocupam o mesmo lugar no campo de conhecimento;
  • (3) Mesmo o total acúmulo de informações empíricas não seria o suficiente para provar inexistência de algo metafísico;
  • (4) E se não ocupam o mesmo local, então não há opção nenhuma a ser feita, sendo essa idéia uma pura fraude intelectual;

Com esses pontos em mente, é possível fazer um bom enfrentamento intelectual e desmacará-lo.

Conclusão

Também há um componente psicológico que é baseado principalmente  na falácia Ateus são fortes, Teístas São Fracos e no cientificismo (crença de que a ciência irá explicar tudo), além do apelo ao modernismo (“Seja moderno, ultrapasse essa barreira você também, etc.”). Denuncie essa parte da mesma forma que o debatedor ficará neutralizado por completo.

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