Técnica: Patrulhamento Ideológico

Essa é uma técnica antiga que não foi criada e nem é de uso exclusivo dos neoateus. Nela, o forista tenta diminuir você a partir de opiniões ou posições políticas ou ideológicas através de joguetes emocionais e palavras fortes ou ainda parar seu questionamento a uma afirmação feita. Esse estratagema é uma versão da técnica erística do Rótulo Odioso explicado por Schopenhauer (que será abordado em breve nesse blog em uma seção especial).A técnica será aplicada mais ou menos assim:

  • NEOATEU: A Inquisição matou 9 milhões só de bruxas! Todas queimadas na fogueira impiedosamente!
  • REFUTADOR: Qual seria sua fonte para afirmar isso?
  • NEOATEU: O quê? Não acredito que você está defendendo a Inquisição! Fascista! Você é um monstro.
  • REFUTADOR: Não defendi nada, apenas pedi a fonte da sua alegação.
  • NEOATEU: Hahaha, você deve ser apenas mais um daqueles babacas que acha que Thomas Wood está certo e acredita que só 2.000 pessoas foram mortas pela Inquisição! Típico fascista leitor de VEJA!
  • REFUTADOR: Afinal, você tem os dados ou não?
  • NEOATEU: Monstro! Tenho medo de ultra-reacionários como você! Nenhum católico sério diz que os 9 milhões são mentira, seu babaca!

E assim por diante, até ele conseguir o objetivo, que é tirar o questionamento da pauta de questões sérias a serem debatidas e vender seu peixe para os leitores/ouvintes.

E o que fazer nesses casos?

Primeiro, não podemos esquecer que muitos neoateus são (possivelmente) adeptos da mentalidade revolucionária, na qual eles consideram a eliminação da religião ou da crença em Deus conduzirá a humanidade para um futuro utópico de paz (fruto possível da doutrinação anti-religiosa em escolas, universidades ou estimulada por livros de gurus como Richard Dawkins)., estando, portanto, qualquer trapaça ideológica contra a religiosos justificada a priori. Assim, não devemos confiar na honestidade intelectual de neoateus durante a discussão.

Abaixo, um trecho do livro “O Jardim das Aflições”, de Olavo de Carvalho, para entendermos melhor a mentalidade revolucionária:

As pessoas normais consideram que o passado é algo imutável e que o futuro é algo de contingente  – “o passado está enterrado e o futuro a Deus pertence”, diz o senso-comum. A mente revolucionária não raciocina desta forma: para ela, o futuro utópico é um objectivo que será inexoravelmente atingido ? o futuro utópico é uma certeza; não pode ser mudado. Por outro lado, a mente revolucionária considera que o passado pode ser mudado (e ferozmente denunciado!) através da reinterpretação da História por via do desconstrucionismo ideológico(Nietzsche -> Gramsci -> Heidegger -> Sartre -> Foucault -> Derrida -> Habermas). Em suma: o futuro é uma certeza, e o passado uma contingência – isto é, o reviralho total.

Olavo continua e explica a questão moral:

Em função da crença num futuro utópico dado como certo e determinado, em direção ao qual a sociedade caminha sem qualquer possibilidade de desvio, a mente revolucionária acredita que esse futuro utópico inexorável é isento de “mal” – esse futuro será perfeito, isento de erros humanos. Por isso, em função desse futuro utópico certo e dado como adquirido, todos os meios utilizados para atingir a inexorabilidade desse futuro estão, à partida, justificados. Trata-se de uma moral teleológica: os fins justificam todos os meios possíveis.

(Visite a comunidade de Olavo de Carvalho no orkut e veja seus comentários em vídeo no Youtube.)

Segundo, temos que fazer a diferença entre patrulhamento ideológico e uma mera reprimenda moral, como fiz no post Ateus são lixo! Cocô de Quatro Patas! [Link quebrado]

Uma coisa é dizer para alguém “Sua atitude está errada e vai contra os princípios do Cristianismo”, outra é tentar INVALIDAR um questionamento simplesmente por alguma posição adotada por aquela pessoa. Na primeira, alertamos a pessoa para um erro na esfera moral; na segunda, tentamos expulsar a chutes do debate alguém por ter expressado uma idéia.

Conclusão

Como a internet é um lugar onde as regras  de convívio não são bem definidas e muitas vezes os outros participantes não são confiáveis, escolha bem o local onde irá debater. Se o patrulhamento ocorrer, responda de forma direta, objetiva e respeitosa, mas sem nunca perder a firmeza. Caso a situação seja insustentável, tente levar o debate para algum lugar mais sério ou abandone a discussão e avise os motivos para os outros foristas.

Anúncios