Técnica: Nós Somos Moderados, Vocês são Extremistas.

Essa técnica é usada como estratégia de intimidação e também de confusão. Consiste em acusar o opositor no debate de ser extremista por expressar uma posição qualquer que, em um cenário de confrontamento intelectual normal, não só seria considerada comum, mas absolutamente legítima , ajudando a vender a propaganda de que a sua posição é a “moderada” e, portanto, a única que deve ser respeitada.Vemos, por exemplo, esse fato na imagem acima (*), que está circulando a internet. Se o sujeito é contra o aborto, ele é um “partidário da extrema direita”.  Se acreditar em Deus, também é de “extrema direita”. Uma bobagem completa, possivelmente feita para rotular os adeptos do Partido Republicano nos EUA.

A aplicação dessa técnica, para ser aceita, depende diretamente do uso da propaganda e da estratégia gramsciana, pois, é necessária a reforma do “senso comum” para transformar em posições dignas de respeito somente aquelas que estão alinhadas com os projetos da agenda “liberal” (como o desarmamento, estado gigante, etc.).

No Brasil, essa técnica é aplicada principalmente no plano político. Recentemente, um editorial do jornal O Tempo, reclamava que certas propostas do PT acabavam fazendo ressurgir um “discurso de direita” de pessoas “apaixonadas pela época da ditadura”, inclusive citando Olavo de Carvalho, como você pode ler abaixo:

O governo dá motivos. Entre outros, o PNDH-3 e, agora, o primeiro programa de governo da candidata Dilma Rousseff, depois substituído por um conteúdo mais digerível. O fato é que essas trapalhadas acabam por estimular a disseminação de um discurso de direita, claramente anticomunista, afirmando que o país caminha para uma ditadura. A fonte talvez esteja em alguns articulistas – como o filósofo Olavo de Carvalho – que dão curso hoje a teorias da conspiração abraçadas por saudosistas do regime militar.

Olavo dissecou o editorial no seu artigo “Repressão chavista e três notas“:

1) A surpresa atemorizada que o editorialista revela ante “a disseminação de um discurso de direita, claramente anticomunista” mostra que, na democracia como ele a concebe, todo anticomunismo é proibido. Você pode ser muito comunista, meio comunista ou um pouquinho comunista. Tudo o que esteja à direita disso é crime, e seu eventual ressurgimento, mesmo em doses mínimas, deve ser denunciado para que se possa cortar o mal pela raiz antes que cresça ao ponto de querer formar – oh, horror! – um partido direitista.

(Visite a comunidade de Olavo de Carvalho no orkut e veja seus comentários em vídeo no Youtube.)

Loucura? Nada disso. Para o jornal “O Tempo”, posições “claramente anticomunistas” não são toleráveis.

Outro exemplo disso é a transformação do PSDB em um dito partido de “direita” no Brasil: líderes do PSDB já declararam ser a favor da social-democracia, a favor da legalização do aborto, da legalização da maconha, etc.  Se isso é “direita”, o que sobra para os que são contra essa agenda? Nada, pois só podem ser “extremistas” que já estão fora do espectro político respeitável.

No Brasil, a reforma do senso comum já está avançadissima (será que nos EUA algum jornal publicaria um editorial para reclamar do “ressurgimento da direita”?) e não é surpresa que até as idéias mais esdruxúlas, como prender padres por divulgarem suas opiniões acerca de sexualidade, encontrem adeptos na internet.

Como uma parte da agenda gramsciana consiste em doutrinação anti-religiosa em escolas e universidades, logo podemos esperar essa tática suja da política aplicada também pelos neo-ateus em discussões. O maior potencial para aplicação dessa técnica reside em discussões sobre o Estado Laico, em que se falsifica o termo para dar a entender Estado anti-religioso ou sem nenhum sinal de influências culturais religiosos em qualquer lugar (sendo que uma das funções do Estado seria, especialmente no Brasil, proteger o patrimônio histórico-cultural do povo civilizador do território. Já imaginaram ter que renomear todas as cidades do Brasil, simplesmente porque o nome “São Paulo” ou “Espírito Santo” vai contra o Estado “Laico”?). Fique atento e não caia nessa.

Conclusão

Essa é uma variação da técnica de Patrulhamento Ideológico, o modo pelo qual se opera diante dela é basicamente o mesmo. Urge desmascarar o aplicador com firmeza, calma e objetividade. Caso contrário, a propaganda será feita e é mais um passo para a reformulação do “senso comum” sobre o assunto.

(*) pode até ser uma paródia, mas o sujeito que postou essa imagem, no site em que eu vi, estava defendendo o conteúdo escrito ali.

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