Técnica: Moral laica permite discussão, moral religiosa não

Nessa técnica, o neo-ateu tentará utilizar uma suposta dicotomia dizendo que “a moral laica permite discussão” enquanto a “moral religiosa não permite”. Essa técnica também é usada em variações para “moral absoluta”, “moral objetiva” e similares.

Cuidado: pode vir acompanhada de self-selling individual (“Eu discuto, você não”) ou coletivo (“Nós duvidamos, vocês não”).

Como exemplo da trucagem, temos esse usuário do Twitter postou essa mensagem no dia em que o Bule Voador promoveu um movimento pelo aniversário de Richard Dawkins:

Claro que essa técnica não é melhor do que as outras (que você pode ver aqui).

Quem disse que a moral religiosa não pode ser discutida ou argumentada?

Tanto é discutida, analisada e argumentada que existe uma disciplina feita ESPECIFICAMENTE para esse estudo, chamada “Teologia Moral”.

Nessa parte da teologia sistemática, são definidos, após estudos, quais as melhores condutas do ponto de vista moral alinhado com princípios éticos, sempre com espaço para debate e posterior reavaliação.

Claro que há ALGUNS princípios que são a base do pensamento. Por exemplo, a idéia de que matar um inocente é errado. Ou que devemos amar nossos semelhantes.

Mas se alguém quer iniciar pregando o genocídio e o ódio, então como quer cantar vitória por aqui?

Há uma variedade de opções dentro das várias religiões sobre o ponto de vista moral. Naturalmente, acredito que a maior parte dessas opções morais está errada, mas a DISPONIBILIDADE já demonstra que o pensamento alegado pelo neo-ateu estava errado (alias, podemos ver que essa é uma variação da técnica “Ciência permite discussão, religião não”).

E o que podemos dizer da moral laica? Se minha argumentação estiver certa no post “Um pouco sobre teoria moral objetiva e subjetiva [Link quebrado]”, então não existe uma moral REAL em um mundo naturalista. Tudo que temos são seres conscientes que CRIAM valores morais, a partir de impulsos irracionais e subjetivistas. Por exemplo: alguém estupra uma garotinha. Eu tenho algumas propriedades acidentais instanciadas no meu cérebro (como o que as pessoas costumam chamar de “empatia”) que me fazem NÃO gostar do ato. Mas isso que ele significa que ele estava errado? Não. Eu não gosto subjetivamente, mas não é DE FATO errado. O bem-estar humano não é mais importante do que o bem-estar dos fungos para o Universo cru.

Nesse sentido, o secularista é parecido com o homem da foto que ilustra o post, com um máscara tapando a verdadeira face da realidade. Ele não passa de um farsante que cria um castelo de ilusões na sua vida em mundo intrinsicamente amoral. Ele não encara a realidade como ela é e projeta seus estados mentais em fatos indiferentes.

Ou seja, podemos ver que a objeção perde toda sua força.

Enfim, quando alguém falar isso, é só desmascará-lo incisivamente. A oportunidade ele deu.

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